quarta-feira, 4 de julho de 2018

Um homem só dá valor a uma mulher quando perde



O seu encanto mora na inocência desapercebida
Diante da intenção maliciosa
No seu cuidar cauteloso
Na sua forma desprendida de amar
Na sua loucura doida da madrugada
Vem da sua intensidade em sentir
E no seu gemido contindo

Sua beleza mora na delicadeza que desenha seu universo
Na forma como não nota sua formosura estonteante
Mora no batom vermelho que delineia seus lábios
E borra os meus

Ah! E quão grande é o desassossego
De te ter deixado escapar entre os meus dedos


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Amores possíveis

Como deve ser plena a sensação de um amor correspondido 

Como deve ser doce o beijo das bocas ávidas em amar 

E que aconchego traz o abraço que pousa o coração a pulsar

O sorriso que se desenha na vergonha do olhar

Como deve ser lindo a beleza de rabiscar as entrelinhas de amar

E as entranhas abusadas que se sossegam ao se regojizar 

Ah! Que coisinha assanhada e atrevida é a arte de viver o que é ser amado

sábado, 10 de março de 2018

Serendipity - Enxergar pontes onde os outros viam buracos


Eles não sabiam. Parecia tudo dar errado, mas incrivelmente havia sempre uma situação que ligava um ao outro. Nas adversidades do universo a resposta óbvia era que um não haveria para o outro. Mas intuitivamente existia algo, inexplicável e inquebrantável que os faziam permanecer ali,estáticos, presos a mesma história.Era mais do que a verdade poderia comportar. Era algo que a razão não poderia explicar. Um pensava no outro. E embora quisessem negar, mudar rumos, se afastar, fugir dos sentimentos, no fundo, estavam ali um para o outro. E era engraçado, porque todos, até eles mesmos não viam possibilidade daquilo funcionar. E mesmo convencidos que não havia mais nada para se extrair, voltavam os dois, bicudos, a se encontrar.

Até que um dia, em plena escuridão, nos remendos que a vida dá, não cabia mais lutar em vão. E os dois ,enfim,  se renderam ao que o acaso viera sempre chamar de destino.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Carta a um amigo

Ei, 
Senta aqui do meu lado, vamos tomar um café e eu vou te dizer o porquê das minhas atitudes que você sempre se questionou e nunca esteve aberto a ouvir
Pegue um expresso e um doce, saboreie o contraste do adocicado na boca e o amargo. Deixe as horas voarem na leveza da nossa conversa descontraída, desse nosso encontro casual.
Olha o dia ensolarado lá fora, da manhã que sorri para nós. Não tem medo não, sempre fui assim convidativa. Não tem mágoa, nem raiva e nem tristeza. Só a beleza do amanhã.
Sabe, talvez seja difícil pra você entender meu mundo de tantas profundidades, de tantas doações. Não sei qual sua experiência de vida, nem os dissabores que teve de provar, mas sei que para muitos receber um carinho tão honesto e desprovido de interesse é estranho. Em um mundo baseado no “toma lá dá cá” , quando surge alguém tão fora da curva de Gauss é complicado lidar.
Mas eu, meu caro, sou diferente das outras em quem tem costume de tratar. Te ofereço delicadeza e bondade  sem nem mesmo esperar  a gratidão. 
Porque aprendi que amar é cuidar, é tratar as feridas até mesmo dos terrenos mais inóspitos como o teu.
E não necessariamente implica em querer que esta pessoa faça parte da sua vida.
Porque relacionamento é outra coisa bem distinta do amor!
E eu , querido, só tenho a agradecer a tua ingratidão, pois sem ela, eu jamais enxergaria a discrepância dos nossos conceitos.Vivo num universo grato em que é comum a gentileza a amiga sem que seja necessário um vínculo rotulado, recebo sempre carinhos aleatoriamente e sou muito grata por isso. E você, absorto nessa sua mesquinhez egocêntrica ( desculpe a franqueza, e tente despir o teor ofensivo do meu comentário), está cego e não vê a preciosidade que o destino colocou em seu caminho.
Algo que leva você a rever teus conceitos a sua incongruência em solicitar ajuda e ser seletivo com que lhe é fornecido e que faz amadurecer.
Mas não preocupa não! Tua rispidez doeu, mas a vida é muito maior e não sou de prender e sim soltar.
Porque sou passáro em busca de pousar em mãos que acarinhe minha alma e não roube minha liberdade 
Ainda é cedo,
Mas quando cair em si e ver o sopro de bemaventuraça  que deixou partir será tarde e o único gosto que terás em tua boca é daquilo que poderia ter sido e não foi
No mais siga em paz 
E até breve rapaz

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Fragilidade

Ela suprimiu o grito e a ânsia. O medo escorria sob suas veias, era inacreditável que aquele homem que tantas vezes lhe deu carinho, lhe segurava com força a machucar,subjugando a vontade dela sobre a dele. Os olhos delas inundados de terror e lágrimas suplicavam pelo o fim daquilo, mas movimentos contínuos e gradativamente mais fortes laceravam sua alma ao nojo. Ele só cessou após satisfeito. E ela não podia crer no que lhe acabara de suceder.Não era dona de si e muito menos de seu corpo. Chorou copiosamente, se lavou incansavelmente,como se pudesse apagar o ocorrido, mas as marcas eram tão fundas que permaneciam ali intactas.

E mais uma noite passou muda , na permanência inalterada do universo

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O bom e velho ano novo

Nós temos os velho costume de acreditar que quando um ano novo se inicia podemos começar do zero, como uma folha em branco esperando ser escrita. Não que eu veja isso como algo ruim, pelo contrário. É a estranha e peculiar forma de refletir sobre os nossos feitos, de tentar enterrar aquela angústia que nos consumia, de esquecer os erros e por fim, é uma nova oportunidade de fazer diferente. Embora, muitas das promessas acabem esquecidas na virada do ano e no final do outro ano cheguemos a conclusão que quase nada das esperanças depositadas naquele foram concretizadas, salvo algumas exceções em que realmente a vida dá uma guinada de forma inexplicável. Mas é que no fundo, as mudanças são lentas, as vezes quase imperceptíveis e são parte de um fluxo que já vinha acontecendo e que não são interrompidos com a virada do ano.2017 para mim não foi diferente . Foi um ano ,sim , de novas fases, novos caminhos. De fechar portas e iniciar novas histórias. De aprender a lidar com aqui que foge do nosso controle. De rever conceitos. De ressignificar muita coisa e em especial o AMOR. E não somente, do amor medíocre homem e mulher, mas o amor em sua forma suprema de ser. Daquele sentimento que move as pessoas, que cria laços, independentemente de qual for sua natureza. O AMOR é isso, é olhar para o outro além do egoísmo. É desejar o melhor para o outro. É compartilhar da dor e do sofrimento . É acima de tudo ter EMPATIA com os sentimentos e história do próximo e com isso chegar até abrir mão dos próprios desejos em prol de um bem comum para ambos. Não é à toa que uma mãe exerça isso com tanta naturalidade. E o que mais me entristeceu em 2017, foi saber o quanto falta isso nas relações, o quanto as pessoas estão mergulhadas na sua mesquinhez e esquecem de abrir horizontes.E sim, o mundo é cruel, a sociedade se esconde nos padrões inatangiveis de estilo de vida ideal, tranvestindo uma realidade utópica que não agrega ninguém. Não é à toa que a depressão seja epidemia, nas quais as redes sociais ajudam a alastrar. E por essa razão, que quero me esquivar de um simples desejo pessoal para 2018 e pedir por um mundo com mais AMOR com mais alegria e paz interior à todos. E não é que eu esteja insatisfeita não com minha vida, mas é porque acredito que todos devam ter a experiência que eu vivenciei à flor da pele de aprender a maneira mais pura de amar.

E que venha 2018

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Um conto sobre a coragem e acreditar em si

Foi respirar lá fora, porque a rispidez o consumia por dentro. O menino Quixote precisava provar ao mundo que moinhos eram verdadeiros dragões e que a menina maltrapilha, Dulcinéia, apesar das arranhaduras que o orfanato lhe deu, deveria ser tratada com dignidade. Porém, o que Quixote não esperava é que a batalha mais árdua fosse a de se livrar das amarras das entranhas familiares que o afogavam no medo e faziam duvidar da credibilidade de seus conceitos.