quarta-feira, 2 de agosto de 2017

A primeira Vez de Cecília


Eram 15  para 5. Ela saiu às pressas do trabalho, coração que saltava pela boca e cansaço que não arredava o pé de seu corpo. Pensara no dia atribulado e na ânsia de viver seus próximos instantes.
Tomou banho acalentador, a água escorria docemente suas curvas  e esvaia energia ruim.
Colocou  a roupa que lhe cabia a alma. Desenhou os olhos, pintou a boca de desejo sangue.
Foi ao encontro dele, a cada passo coração trepidava ...
Eram dez e nada , eram onze e nada. De certo ele não viria. Os olhos que eram sonhos se derreteram em lágrimas . Despida das esperanças, guardava no peito aquela nausea de ansiar amor que não vinga.

Mas dizem que Himeros sempre se compadece de corpos aflitos, e trouxe moço para o encontro dela.
Com todo o fervor carnal rapaz impelido pelas nuances da pele, tomou-a em seus braços com a sede daqueles que encontram um oasis em meio ao deserto. A doce menina, mal cabia dentro de si, das implosões do sentir cravadas em seu peito. Estava ali entregue , nua de si, a mercê das vontandes daquele homem que a fazia feliz a cada movimento,a cada acariciar. Da inocência de uma menina floresceu a malícia duma mulher e da boca fez gemido e do suor o gosto e o gozo da alma. Eram um.
A partida, a separação dos corpos ainda nus era como o balão que fugia da mão de Cecília...
As marcas daquela noite ficaram cravejadas em pele. Cecília ainda pulsava ... e engolia na distância a vontade tormenta de reviver cada instante de novo.
As ninfas do amanhecer fitavam Cecília e em tom manso sussurravam
Ah menina guarde estas marcas que noite assim jamais repetirá algum dia

Ana Carolina Alencar




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