domingo, 11 de maio de 2014

Soul só

Eram 16 horas. Ela escorada na janela, sentia o vento bater e o cabelo emaranhar-se em seu rosto. Perdida em meio aos seus pensamentos, descansava os olhos ao horizonte, em busca  de uma fuga. Seu coração em batidas agônicas, clamava por socorro. Almejava fugir das armadilhas dos sangrentos desenganos.
Eram 16 horas. Ele abraçava seu violão como quem se afoga em carinho, dedilhando notas como as carícias que suas mãos não ousaram dar. Seus pensamentos voavam como pássaros livres seguindo a toada. Seu coração em batidas de blues sofria na ambivalência do seu ser. Temia o desejo intrépido de querer quem não conhecia. Sofria a dor de se esquivar do amor insistentemente quisto.
Eram 16 horas e a distância separava o afago da agonia, a prisão da liberdade. As paredes sufocavam a certeza na indecisão. Ele e ela abraçavam sozinhos a dolorosa solidão.

Ana Carolina Alencar

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